terça-feira, 14 de junho de 2022

A crueldade silenciosa do Etarismo

 

Foto: Ulrike Leone

Respeito à diversidade etária


No último fim de semana,  dediquei meu tempo e "transpiração mental" para escrever sobre um tema que desconhecia e que me pegou " de jeito", como se fala no popular. Sabe quando você é levado a ler um texto, conversar com pessoas, ir mais fundo num assunto e, de repente, se pega completamente apaixonada por ele? Pois é...Isso aconteceu comigo quando descobri o que é o Etarismo, que também é conhecido como Ageísmo ou Idadismo , ou para ser ainda mais clara, preconceito etário. Bem que essa palavra e tudo que ela traz de carga ruim poderia ser banida do nosso mundo: preconceito.

Mesmo sabendo que o preconceito se instala sem fazer cerimônia e pode acontecer no caso da idade também em relação às pessoas mais jovens (vamos a título de recorte e delimitação considerá-las como as que têm idade abaixo dos 29 anos, sem a rigidez acadêmica que segue critérios pré definidos), vejo esta postura limitadora e castradora ser algo ainda mais cruel com os que estão na casa dos 40 anos para cima.

Qual o problema em ser mais velho (a)?


Sempre achei de uma insensibilidade e ingratidão tremendas quando não valorizamos aquelas pessoas que já estão um pouco mais à frente no calendário dos anos. Sou absolutamente apaixonada, fascinada pelos sábios e sábias, seres que acumulam em suas vidas tantas histórias tristes e felizes, cicatrizes e vitórias, trajetórias que deixam, muitas vezes, marcas não só na alma, mas também na pele, nas mãos, nos cabelos...
Há tanta incongruência em se querer dar condições mais dignas aos mais velhos e, ao mesmo tempo, ter tabu em usar a palavra ou deixar que ela carregue características negativas ou pejorativas. Gente, vamos parar com isso!

Eu já escrevi, em 2021 aqui mesmo no meu blog sobre estes mestres da vida. Hoje, me deparo com um outro desrespeito que atinge em cheio as pessoas que ainda têm muito a contribuir, ensinar e aprender, mas que vêem as portas sendo fechadas para elas. Me identifico porque eu mesma, do alto dos meus muito bem vividos 52 anos, já sinto a perversa realidade de uma sociedade e de um mercado corporativo extremamente preconceituosos e despreparados para acolherem profissionais experientes e com muito potencial. Neste aprendizado sobre o Etarismo, me deparei com o trabalho de uma psicóloga que, saindo dos muros da academia, resolveu escrever sobre o tema em um blog maravilhoso.  Parabenizo a Dra. Fran Winandy pela generosidade em compartilhar com todos nós o seu conhecimento. 

Missão desafiadora


Visões, conceitos e preconceitos, tudo isso leva tempo para ser mudado, mas se não for feito nenhum esforço, se não deixarmos de lado o nosso orgulho, egoísmo e hipocrisia, isso vai se perpetuar e num mundo onde a população de idosos só cresce, muitas mazelas irão surgir.  Como cidadãos, pais, filhos e netos, não podemos simplesmente fechar os olhos e achar que "essas coisas jamais vão acontecer comigo ou com alguém próximo de mim". Precisamos nos educar e educar nossos descendentes para começar a mudança de dentro para fora.


quinta-feira, 9 de junho de 2022

Sólido, líquido e gasoso

 Os três estados físicos da matéria


Sempre achei a disciplina Ciências interessante. O estudo dos fenômenos da física, da química, da biologia, tantas informações que revelam um pouco destes vastos mundos contidos no nosso mundo visível. Aí você, meu caro leitor, minha cara leitora, se pergunta: Vamos ter aula de ciências hoje? Ah, longe de mim ter conhecimento "sólido" para ensinar algo sobre ciências. Mas, uma frase que ouvi ficou martelando na minha cabeça e, aí, surgiu a inspiração para escrever estas " mal traçadas linhas".

Estado sólido


Toda vez que queremos atestar perenidade, serenidade, segurança a algo usamos expressões que remetem ao estado sólido: bases sólidas, sentimentos sólidos, solidez, algo que não é quebrado com facilidade, algo firme, dificilmente abalado, rígido.

Estado líquido


O estado líquido sempre me passa a mensagem de algo flexível, dinâmico, moldável às circunstâncias. A água, por exemplo, é muito usada simbolicamente como uma ilustração de posturas maleáveis e adaptáveis, que transpõem obstáculos sem perder sua essência.

Estado gasoso


Eu acho o estado gasoso o mais enigmático de todos: nem sólido, nem líquido mas, algo que existe de forma inegável. Este elemento é misterioso, pouco se revela mesmo que marque território de um jeito bem sutil.

E nós?


Fico pensando como temos em nós, constantemente, a manifestação física dos chamados três estados da matéria e, porque não, na nossa porção mais psicológica também. Muitas vezes, nossa dureza embota nosso aprendizado, nos distancia de experiências e de pessoas maravilhosas. Mas o estado sólido também serve de proteção, blindagem e fortaleza.  Em outros momentos, somos tão volúveis e inconstantes que praticamente " escorremos pelas mãos" que nem a água. Mas o dinamismo do líquido também é um convite para o novo, o desconhecido, a mudança, a superação. E o que podemos aprender com o estado gasoso? Acredito que a fluidez, a leveza, o desprendimento, qualidades tão necessárias nos dias de hoje.

sexta-feira, 27 de maio de 2022

Desabafo

Onde está nossa essência?


Foto: Cassandra Castro


Essa quinta-feira, dia 26 de maio de 2022 trouxe a mim uma notícia perturbadora: mais uma vida ceifada, moída e subtraída deste mundo, a vida da jovem Sayonara, uma estudante do 8º período do curso de medicina, quase na reta final para se formar. Como ela morreu? Morreu de tristeza, desespero, pressão de todos os níveis inimagináveis..Se esta morte poderia ter sido evitada? Talvez pudesse, como vamos saber se sequer percebemos os pedidos de socorro deixados por milhares de pessoas todos os dias, vítimas da depressão, síndrome do pânico e tantos outros males que vão matando aos poucos, por dentro, até o desfecho final?

Eu mesma já perdi amigos e conhecidos para o suicídio, até escrevi sobre isso em 2020 depois de saber da morte do Cristiano. O fato me forçou a fazer uma viagem no tempo para lembrar a última vez em que o encontrei...O Cris era um palhaço porque vivia fazendo os outros rirem, era alegre e brincalhão e isso não o tornava menos responsável pela família que tinha ou menos profissional do que um sujeito sisudo ou cheio de poses. Me perguntei: o que eu não percebi, o que eu não fiz, por que não pude ajudar o meu amigo?

Eu não conhecia a Sayonara, vi apenas uma nota de pesar publicada pela instituição onde ela estudava. Mesmo assim, a notícia mexeu comigo. Acredito que as perguntas que fiz quando soube da morte do Cristiano sejam as mesmas feitas pelos amigos, colegas e familiares dela. Junto a essas indagações, me pego fazendo outras: Quantas pessoas tiram a própria vida todos os dias? Podemos julgá-las ou julgar seus parentes e conhecidos? Onde falhamos?

O meu umbigo


Já li em vários lugares que o ser humano é egoísta por natureza. Percebemos este nosso " desvio de personalidade" já na criança que não abre mão de um brinquedo que é seu e que não divide com ninguém. Somos tão egoístas que só olhamos, na maioria das vezes, para o nosso umbigo, expressão tão antiga e precisa. É algo muitas vezes tão instintivo que nem percebemos: minha casa, meus projetos, meu trabalho,meus sonhos, meu...meu..meu. E o que dizer dos outros? Do vizinho, do irmão, do amigo, do ilustre desconhecido? Quem achamos que somos para menosprezar o próximo? Por acaso ele não tem tanto direito do que eu de viver e ser feliz?


Tapa na cara


Toda vez que fico sabendo de casos como o da Sayonara ou do Cristiano, morro também um pouco por dentro. Coloco o dedo na ferida da minha impotência e me pergunto: o que posso fazer para que isso não aconteça mais? Como ser aquele passarinho que, solitário, leva água no bico na tentativa de apagar o incêndio que está devastando a floresta enquanto os outros animais fogem ou caçoam dele:  Você acha que vai conseguir apagar este fogo sozinho? E o pássaro responde:  Pelo menos, eu estou fazendo a minha parte.

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Conexão perdida

 

A Conexão perdida


Vivi uma experiência muito gostosa e revigorante no último fim de semana: conheci  um pedaço de Brasília que ainda não tivera a oportunidade de conferir de perto: o famoso lago Paranoá , um universo de água que deixa a Capital Federal ainda mais encantadora. Aquele passeio de lancha com amigos me inspirou a escrever um pouco sobre a importância da conexão ancestral perdida por muitos de nós: a ligação que temos com a natureza. Não é papo cabeça ou conversinha como se fala no popular " para boi dormir". Vou explicar o porquê.


foto: Cassandra Castro 


Conexão essencial num mundo tão digital


Eu vejo a conectividade digital que temos como algo que pode pender para o bem e para o mal. Como hoje estou lembrando de ditados bem antigos e populares, recordo de um que diz algo tipo assim: tudo em excesso faz mal. Os avanços tecnológicos, o mundo ficando cada vez menor graças a isso, acabou fazendo com que esquecêssemos de valorizar a conexão essencial que temos dentro de nós, a ligação com a essência de tudo o que existe. Vendo toda aquela natureza, a água, o vento, o sol , as nuvens, vi o quanto nós humanos esquecemos um pouco de como é importante resgatar essa conexão com a natureza para contemplá-la, agradecê-la e também trocar energias com ela que também é criação divina assim com nós.


Os elementos vitais


Sei que para quem vive em cidades grandes e sempre está na correria do cotidiano pode parecer quase impossível reestabelecer essa conexão ancestral mas, vou dar umas sugestões que talvez ajudem: 

1 - Procure ter algo do reino vegetal - uma plantinha sempre dá cor, vida e boas energias. Eu mesma tenho duas companheiras inseparáveis : uma suculenta que chamei de Matilda, e uns brotinhos de " Mãe de todos" agrupadinhos e que chamei de Jennifer. 

2 - Tente trazer a natureza para dentro da sua casa ou escritório. Não tem plantinha? Uma foto, um quadro, um desenho, algo que ajude a relembrar da água, do ar, fogo e terra já vai ser bom demais!

3 - Tente dar uma escapada sempre que possível para algum lugar que tenha natureza: um parque, um lago, uma praia, montanha, cachoeira. Fique descalço(a), pegue na grama, na terra, se molhe nas águas, sinta o calor e a energia do sol no seu rosto.... isso é vida!




domingo, 19 de dezembro de 2021

Percepção

 Nosso óculos particular






Antes de começar a escrever este texto, fui fazer uma pesquisa nos dicionários para dar o primeiro passo no desenvolvimento do tema sobre o qual escolhi falar hoje. De todos as definições que encontrei, a usada na psicologia, neurociência e ciências cognitivas foi a que mais se aproximou do que eu buscava:             " Percepção é a função cerebral que atribui significado a estímulos sensoriais, a partir de histórico de vivências passadas. Através da percepção, um indivíduo organiza e interpreta as suas impressões sensoriais para atribuir significado ao seu meio". Uau! Lendo isso dá para refletir sobre bastante coisa, não? 
Me dei conta que, na própria definição está contida a pluraridade de impressões, visões, sentimentos e tudo mais que cada um de nós carrega dentro de si e como isso é fascinante, vou explicar porquê, ou, pelo menos, como enxergo isso dentro da minha percepção que, tudo bem se não for igual à sua ( raramente é e que bom que é assim!).

Formas diferentes de olhar



Minha forma de tentar definir o que seja a percepção, de um modo geral, se assemelha a um óculos particular que colocamos para enxergar as coisas ( englobando aí pessoas, situações, sentimentos diversos, o mundo ao nosso redor, nossa vida) de um jeito que é somente nosso e que, algumas vezes, pode até ter pontos em comum com o jeito de outras pessoas também usarem os seus óculos particulares mas, é fato: cada um de nós em nossas singularidades percebe tudo de um modo muito peculiar. Nessas horas eu lembro daqueles testes psicológicos que mostram figuras intrigantes que nunca são a mesma coisa para cada pessoa que olhe a foto ou desenho, é como se a imagem decidisse se revelar cada vez de um jeito diferente para quem a observa. Ou então, aquela história do copo meio cheio ou meio vazio, como você decide enxergá-lo? 

Limpe seus óculos ou troque por um novo



Se você costuma fazer, ao final do seu dia, aquele balanço de como ele foi, no que podia ter sido melhor, quais atitudes evitar, etc, peço que pense com carinho em também limpar as lentes dos seus óculos da percepção ou, até mesmo, trocar por um novo ( por que não? ). Nem sempre a primeira olhada é a definitiva, na nossa vida que é essencialmente movimento constante, tudo muda e rever sua percepção das coisas pode ser libertador !


domingo, 5 de setembro de 2021

A beleza da pluralidade

 Como é bonito poder aprender com o outro


Pollyana Rocha se une ao clamor dos povos indígenas
Pollyana Rocha se une ao clamor indígena


No fim do mês de agosto, vivi uma experiência muito fascinante durante o exercício diário da minha profissão. Como jornalista, tenho a oportunidade de travar contato com pessoas, fatos, histórias diferentes. Isso é algo muito gratificante, principalmente quando essas vivências me ajudam a aprender com o outro.

Pude acompanhar um pouco da movimentação de povos indígenas na capital federal, Brasília, durante a mobilização Luta Pela Vida, um conclave de indígenas de várias etnias, quase 6 mil pessoas, juntas e pensando no coletivo. Ao mesmo tempo em que cada povo possui suas vestes, pinturas, rezas, cantos, adornos, eles agem irmanados em torno de objetivos comuns.
Povos indígenas na Praça dos 3 Poderes, em Brasília



Em paralelo ao meu trabalho de reportar os acontecimentos, eu sentia , como expectadora, toda a beleza, a força, o amor em cada dança, em cada canto, ritual. Ali, todos irmanados, conectados, mobilizados, na riqueza da diversidade desses povos  originários.

A espera paciente 

A reivindicação legítima


Vamos ser mais humildes para aprender?


Nós, seres humanos, realmente temos muita lição de casa para fazer, sabe? Eu sempre tive ensinamentos, inclusive em livros sagrados, sobre os males causados pela soberba, arrogância, orgulho. Na época da faculdade, estudei uma matéria que me fascinou bastante: antropologia.  Já ali, me dei conta de que é importante olharmos o outro, o que achamos diferente e praticarmos a humildade para aprendermos com esses seres, sem julgamentos, sem preconceitos, buscando beber da sabedoria, sermos tocados pela luz de cada uma dessas criaturas. Para isso, precisamos deixar de pensar que somos o " centro do Universo", a " única referência", a " única via possível". 

Num mundo e num universo imensos, seria até ingenuidade acharmos que não existem outras formas de ver a vida, de cuidar, de amar. Quando vi aqueles indígenas com um sentimento genuíno de amor à terra, à natureza , aos animais e aos seus parentes, me dei conta de como devemos respeitá-los e ser gratos pelos ensinamentos que esses irmãos nos passam. Amemos a terra e as pessoas. O amor é a força criadora e necessária para todos nós!.



sexta-feira, 18 de junho de 2021

Diga não à autossabotagem

 

A origem da palavra Sabotagem


Tive uma professora ainda no ensino fundamental (antigo ginasial) que gostava muito dos meus textos.  Ela me aconselhou a fazer faculdade de Letras ou de Pedagogia, eu acabei escolhendo Comunicação Social - Jornalismo. Mas, de vez em quando, me apanho meio que seduzida por ramificações da linguagem que são estudadas com mais profundidade justamente pela turma que abraça a graduação em Letras e suas ramificações. Uma área que particularmente me encanta é a Etimologia que estuda a origem e a evolução das palavras.

Fiz uma pesquisa rápida para descobrir a origem da palavra Sabotagem (para poder entrar no tema sugerido no título deste artigo que é Autossabotagem) e vi a curiosa história do surgimento dela. Sabotagem vem da palavra árabe sabbat que dá nome à madeira perfumada conhecida como sândalo. Essa madeira era usada antigamente para a fabricação de tamancos. Esse calçado também é chamado em francês de Sabot. Pois bem: como os camponeses não tinham dinheiro para comprar sapatos de couro usavam os de madeira. Com os tamancos, eles pisavam as " plantas tenras dos grandes proprietários e desse ato surgiu a palavra sabotar - pisar com o tamanco".  Peguei essa explicação do Blog da Dad (Dad Squarisi) publicado no Correio Brasiliense e achei muito interessante.  Com o tempo, a palavra acabou evoluindo e ganhando outros significados, outros usos. Hoje em dia, a palavra é usada para designar um ato, equipamento, plano, intenção de prejudicar alguma coisa ou alguém.

Descubra o inimigo


Pode parecer bobagem, mas acredite, muitas vezes o nosso maior inimigo está diante de nós quando  olhamos no espelho. É aí que entra a danada da autossabotagem. Consciente ou inconscientemente, nós conseguimos nos prejudicar.  Este processo geralmente é resultado de situações vividas lá atrás, na infância e deixa marcas que muitas vezes ficam para a vida inteira e dão combustível para pensamentos, emoções e atitudes que reforçam a nossa forma de viver, nossa interação conosco e com o mundo. Encontrei um texto bem explicativo sobre o assunto que você pode conferir aqui  .

Permita-se


Se tem uma ordenança que me encanta é esta acima.  Quando você se permite estudar mais, se conhecer mais, aceitar suas imperfeições e valorizar suas qualidades, a jornada da vida fica muito mais interessante e o mais bacana é que você nunca está sozinho: tem muita gente espalhada por aí que busca desfrutar a vida em plenitude, em fraternidade e com respeito por tudo e por todos. Então convido você a sim, se permitir estudar, ler, experimentar, subir, levar tombo, brincar, chorar, afinal, nossa vida é uma experiência extraordinária, não se sabote!!!