domingo, 1 de março de 2026

Abundância e escassez

 Faz tempo que não publico nada por aqui, mas hoje, primeiro dia do mês de março, mês do meu aniversário, resolvi confabular com meus leitores, na pretensão esperançosa de que alguém vá ler estas mal traçadas linhas, mas, vamos lá!

Veio à mente um tema: abundância e escassez, algo como tudo na vida, na sua duplicidade: claro e escuro, bem e mal, bom e ruim , alto e baixo...Olho primeiro para o mundo: tanta abundância tecnológica, de recursos naturais ( que em alguns locais, já não estão mais tão abundantes assim), abundância de seres viventes, de riquezas ainda desconhecidas e não exploradas....E, ao mesmo tempo, tanta escassez! Escassez de humanidade, de bom senso e compaixão, escassez de sanidade e boa vontade. 

Quando vejo as notícias intermináveis das guerras grandes ( sem falar naquelas mais territoriais das quais nem temos conhecimento), me pergunto: será que isso não vai terminar nunca? As chamadas lideranças mundiais numa avalanche de discursos pela "paz" promovendo ataques , bombardeios, ações militares que atingem na maior parte, a população civil, pessoas que ficam " entre a cruz e a caldeirinha" como dizem, tentando apenas sobreviver.  Lembro de Gaza, do povo tendo que ir de um lado para o outro, as imagens chocantes de uma multidão de famintos atrás de uma espécie de sopa rala para matar a fome, um desespero de mãos e vasilhas na disputa por algo que se aproxima muito pouco de uma refeição decente. E a cidade destruída? Para onde voltar, onde morar?



Em outra guerra midiática, a entre Rússia e Ucrânia, o mesmo drama de bombardeios, pessoas feridas, pessoas mortas, e uma insistência irritante de um país querer tomar " na marra", áreas de outra nação, uma disputa territorial que parece estar ainda distante de ser encerrada.

Abundância e escassez...Abundância de arrogância de quem dá as ordens e sela destinos de milhares? Escassez que marca um dia após o outro dos cidadãos que tentam retomar a rotina em meio a tanta dor e violência. 

E agora, em mais uma das teatrais e bizarras decisões do presidente americano, o Irã, atacado por Estados Unidos e Israel, mais um conflito para um mundo cada vez mais dividido e fragmentado. Por que penalizar quem não tem nada a ver com as disputas por riquezas e poderio nuclear? Por quanto tempo vamos assistir, atônitos, a essas cenas terríveis?

Abundância e escassez também presentes na tragédia da zona da mata mineira, com quase 70 mortos e cidades devastadas pela força das águas e pela incompetência de gestores que não fazem o mínimo, o dever de casa, a escassez de ações que, de fato, evitem que o drama visto esses dias em Minas Gerais, se repita. 



A abundância da solidariedade neste desastre, de pessoas que ajudaram desconhecidos, numa corrente de amor e empatia é o que ainda traz um fio frágil de esperança de que talvez, um dia, aprendamos a nos preocupar mais com o todo e não apenas com a nossa parte.


Nenhum comentário:

Postar um comentário