sexta-feira, 9 de abril de 2021

Aos Mestres com carinho

 Meu texto hoje é para homenagear estes seres especiais: os velhos. Sei que muitas pessoas evitam usar o termo "velho" preferem idoso. Eu até entendo os motivos para esta preferência, afinal, todo o contexto que existe por trás do adjetivo "velho" é visto na nossa sociedade de forma negativa, até pejorativa . Mas eu me recuso a imprimir às duas palavras, velho ou idoso, as marcas do que é ultrapassado, descartável, inútil.



Sempre olho para os mais velhos com um misto de  admiração e uma respeitosa inveja. Como assim? É uma forma de tentar fazê-los perceber como são únicos e insubstituíveis. Cada um deles com histórias, lições, memórias, dores e alegrias, com bagagens muito pessoais de vida. Não consigo contemplar um vovô ou uma vovó sem deixar de manifestar a minha gratidão pelo privilégio de poder aprender um pouco com cada um deles, independente de serem parentes ou encantadores desconhecidos.. Sinto uma vontade imensa de abraçá-los, beijá-los carinhosamente e declarar como são pessoas preciosas, apesar de tanta insanidade e desrespeito aos idosos no mundo em que vivemos.


Privilégio da longevidade


Na minha infância e adolescência, tive contato com minhas avós paternas e maternas e com o meu avô materno. Apesar de não terem sido convívios prolongados, guardo no coração as lembranças deles que são parte de um laço eterno de amor que deu origem às nossas histórias. Encaro a longevidade, principalmente quando alcançada com saúde, como uma dádiva divina que espalha inúmeras bênçãos: para os avôs e avós, filhos, netos, bisnetos e por aí vai! Como nossos velhos são valiosos!!



Mais respeito aos mestres e mestras da vida


Nossos jovens precisam aprender a reverenciar os mais velhos. Chega de piadinhas e frases preconceituosas, chega de rótulos que querem imprimir aos velhos para limitá-los, diminuí-los, catalogá-los....Já não basta o que já é feito desde a nossa infância? Condicionamentos, doutrinações nocivas, relações tóxicas? Deixem nossos mestres e mestras desfrutarem os anos que ainda têm pela frente. Vamos celebrar suas vidas e amá-los com carinho e reverência.




  

quinta-feira, 25 de março de 2021

Desacelere

 Uma parada para desacelerar





Pode parecer uma redundância o título acima mas, não é. Sabe quando você corre, mas corre tanto que te faltam forças e até ar para continuar?  Por isso que falei de parar para desacelerar.... Você já percebeu como vivemos num mundo acelerado?  Todos correm: carros, os relógios, as pessoas e as horas? Tem dias que parece que elas voam, não é? 

Essa semana, eu lembrei de um filme que assisti na época da faculdade, um documentário chamado Koyaanisqatsi. Esta palavra é numa língua chamada Hopi, falada por uma nação indígena do Nordeste do Arizona, nos Estados Unidos. A palavra que dá nome ao filme, significa algo como " vida fora do equilíbrio",  "confusão", " Vida fora do controle". Com direção de Godfrey Reggio, este documentário de 1982 está mais atual do que nunca! 



Eu tento me lembrar das sensações que tive durante a exibição dele e depois. A obra não tem diálogo, só cenas, música e sons. O que mais me impactou foi a correria das pessoas, o andar acelerado em alguns momentos, o ritmo frenético em outros, e nós ali, espectadores de uma realidade vista sob outra perspectiva. 

Uma parada para reflexão





Relembrando desse filme e olhando para  o cenário atual  do mundo em tempos de pandemia, comecei a pensar: Por que a gente corre tanto? Qual o sentido de tanta pressa, tanta agonia, tarefas a serem cumpridas? É como se, de alguma forma,  a gente quisesse controlar o transcorrer dos acontecimentos, quisesse de alguma maneira ter as rédeas da nossa vida e nós sabemos que não é bem assim. Será que tanta correria no fundo, no fundo, não esconde uma certa vontade de fugir de si mesmo, dos problemas, da cobrança dos outros, da auto cobrança...Afinal, sem tempo para " parar" fica mais fácil ir  driblando as nossas "sombras", as coisas que não queremos que ninguém saiba que somos ou temos escondidas dentro de nós.

Olhar para dentro


 E nessa época de pandemia que estamos enfrentando, na qual o mundo está sendo obrigado a parar e olhar para si mesmo, cada um de nós, quem sabe a gente não esteja sendo convidado a parar para nos ouvir, nos aceitar e nos entender um pouco mais.



terça-feira, 9 de março de 2021

Aprendizado contínuo - Infinitas Possibilidades

 

Um dia eu ouvi uma frase que, no contexto e local nos quais me encontrava era, no mínimo, enigmática. A frase era a seguinte: " O Conhecimento é inchaço".  Naquele momento, eu vivia uma fase de descoberta espiritual e via no enunciado um significado específico de que buscar aprender coisas em excesso, ir atrás de informações que agreguem valor ao indivíduo era uma atitude desafiadora aos preceitos da religião que eu seguia.  Mas, em 2020, ano do surgimento da pandemia, descobri algo que representa um divisor de águas, pelo menos na minha vida: a ciência da consciência, um termo muito utilizado pelo físico Amit Goswami, um dos maiores divulgadores da Física Quântica no mundo. Movida pela curiosidade, comecei a estudar esta ciência e, aos poucos, me permiti ir mais e mais fundo e descobri o quanto apaixonante é esta viagem para alcançar a expansão da Consciência.



Espiritualidade e Ciência juntas

Esta proposta desafiadora é uma discussão que acontece, como se diz no jargão popular, " Desde que o mundo é mundo". Mas, quem disse que as duas são antagônicas ou contraditórias? Cada vez que nos permitimos ter a postura de um cientista, conhecer, investigar e não julgar, descobrimos que lá na origem de tudo, ambas estão conectadas, da mesma forma que todas as coisas que existem. É como se colocássemos todas as coisas, todos os seres sob a lente de um imenso microscópio e víssemos que a origem de tudo é uma só. Alguns chamam de Deus, outros de Inteligência Infinita, outros de Consciência Una, o TODO e por aí vai! Mesmo com as discussões para dar nome a quem ou o quê criou tudo despertam, eu me pergunto do alto da minha inocência como andarilha neste mundo: Será que este Criador(a) se importa mesmo de que nome irá receber de quem quer que seja? Isso vai impedir o agir DEle(a) em todas as coisas? Na minha tosca percepção, acredito que não.

 

Conhecimento que impacta vidas


Quando mantemos contato com termos muito usados na Psicologia, Psicanálise, Terapias Holísticas, Programação Neurolinguística, nos "tocamos" de que, no final das contas, todo conhecimento agrega sim e pode, desde que a pessoa queira e se permita, impactar a vida dela e de muitos ao seu redor. Um destes termos é a famosa "zona de conforto" que pode trazer esta sensação para o nosso ego que adora uma mordomia e é bem preguiçoso, mas é um verdadeiro desastre para a realização pessoal e crescimento. Antigamente, eu via com maus olhos e até um certo preconceito quem era muito " agitado", "inquieto" , "elétrico", mas pessoas assim dificilmente ficam estagnadas na tal zona de conforto. Hoje em dia, tiro o chapéu para elas e tenho em pessoas assim, verdadeiros modelos de motivação.

Para mim em particular, a pandemia, aliada a outros fatores como mudança de cidade, permitiu que eu ousasse e buscasse aprender coisas novas. Hoje em dia faço tanta coisa que jamais imaginei até que existiam.. Veja você como meu mundinho era ainda mais estreito....E continuo aprendendo, descartando aos poucos os tabus, preconceitos, crenças limitantes e estorinhas da Carochinha para seguir na jornada das "Infinitas Possibilidades".

 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

As lições dos animais

 O que a humanidade pode aprender com os bichos


Sou uma admiradora da natureza, me deleito mesmo com a visão da vida em movimento: plantas, flores, árvores, rios, mar, cachoeiras, bichos...Se as pessoas soubessem quantas lições são transmitidas pelos animais e também pelos demais seres da Mãe Natureza, prestariam mais atenção e valorizariam mais " esses vizinhos". 

O ritmo frenético muitas vezes nos priva de verdadeiros espetáculos. Aqui perto da minha casa, tenho a felicidade de ir a uma praça caminhar e acabei fazendo amizade com duas corujas. Eu passava e elas me seguiam com aqueles olhos vivos, espertos e curiosos. Para minha surpresa, há mais ou menos um mês, me deparei com o terceiro membro da família: uma corujinha muito bonitinha que agora também curte e divide aquele pedaço da natureza comigo. 

Lições de humanidade

Meu Tuco



Por mais controverso e absurdo que possa parecer aos mais incautos, muitos bichos demonstram ter mais humanidade do que muita gente por aí...O que falo não é exagero! É só você prestar atenção em vídeos que viralizam nas rede sociais com belas demonstrações de amor, cuidado e carinho de cães, gatos e outros pets com os seres humanos. Estas criaturas conseguem dar um amor incondicional, elas têm uma fidelidade desconcertante e se o ser humano fosse menos egocêntrico e orgulhoso, no mínimo, pararia para ver e seguir o exemplo dos animais. 

Terapia Universal


Os animais são mestres humildes, eles não se vangloriam das lições que nos dão. Eles nos fazem tão bem que são usados inclusive para terapias alternativas no auxílio a pessoas que passam por problemas emocionais ou físicos. O mínimo que podemos fazer é respeitá-los, amá-los e retribuir tantas coisas lindas que eles nos proporcionam.



terça-feira, 24 de novembro de 2020

Recordações de uma ex-aluna salesiana

 Conversando com umas queridas amigas, ex-alunas salesianas como eu, bateu uma vontade de homenagear um lugar eternamente mágico para mim: o Centro Educacional Santa Terezinha, conhecido também como Patronato Santa Terezinha, em Manaus. Estudei lá no jardim de infância, depois saí e retornei para cursar a segunda série do antigo primeiro grau. De lá saí apenas no fim do ginásio( atual ensino fundamental). Acho que como eu, muitas meninas lá ficariam caso naquela época, meados dos anos 70 chegando aos anos 80, já estivesse disponível o ensino médio para as estudantes. Sim, ainda sou da época em que o Santa Terezinha só tinha alunas.


Centro Educacional Santa Terezinha

Acolhimento amoroso


Esta instituição de ensino, além de ser um lugar de formação educacional e religiosa, também sempre foi um santuário de acolhida, respeito, amizade, diversão e devoção. Sempre amei andar pelos corredores grandes e espaçosos, brincar no parquinho existente numa das áreas internas da escola durante a minha infância e depois, já maior, admirar as crianças que ali estavam curtindo um ambiente tão maravilhoso quanto aquele. 
No colégio eu aprendi a jogar vôlei, até ensaiei virar atriz durante uma peça com temática bíblica que rendeu inclusive, uma apresentação extra na igreja de São José Operário, no antigo Colégio Salesiano Domingos Sávio. Eu senti a responsabilidade de interpretar na peça o patriarca Abraão, relembro a minha timidez e o medo de esquecer as falas! Nossa, que desafio para uma adolescente!!

Doces lembranças


Entrada pela Duque de Caxias 



Dois locais nesta escola sempre serão apaixonantes para mim: o antigo salão onde tínhamos as aulas de canto e onde aconteciam os eventos oficiais da escola e a igreja, linda, onde também tínhamos nossos momentos de celebração. Nesse templo vivi muitos momentos emocionantes: minha primeira Eucaristia, minha Crisma, as missas comemorativas, as missas de fim de ano onde as alunas mais novas não entendiam o porquê das formandas do oitavo ano estarem chorando copiosamente! Elas estavam tristes por terem concluído os estudos? Na nossa cabeça era uma cena meio esquisita. Mas, o nosso dia iria chegar e aí entenderíamos que o choro já era a saudade de momentos tão lindos batendo forte no  peito de cada uma delas por terem que ir embora. Também não posso deixar de citar as duas grutinhas, uma na área interna e outra na parte externa do prédio, essa última vivia  cheia de moedas jogadas pelas pessoas que tinham algum pedido a ser feito à santa guardada naquele local.

Personagens inesquecíveis


Muita gente especial passou por aqueles corredores, salas, escadas, templo, jardins....Guardo na memória os ensinamentos e os momentos vividos junto às queridas irmãs Rose, uma italiana alegre e que adorava jogar vôlei conosco; Aurora, que era temida pela postura austera e séria, mas que tinha uma letra maravilhosa e era uma excelente  professora de língua portuguesa; Quitéria, que foi nossa supervisora por muito tempo e também era uma pessoa sensacional, só para citar algumas. Elas ainda usavam sobre a cabeça um véu branco que fazia parte do hábito das freiras, algo que foi abolido com o  passar do tempo. Minha gratidão a todas elas e aos professores e professoras que também alicerçaram tudo o que sou hoje.

Tempos modernos


Os anos passaram, os tempos hoje são outros, o antigo patronato agora abriga também alunos e a escola se adaptou à tecnologia e à modernidade. Mas, a essência deste lugar continua sendo a mesma: dedicação e amor ao ensino. Acredito que cada ex-aluna ou ex-aluno que passou por aqueles corredores deixou ali um pedaço do seu coração.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

A imensidão do mar

Declaração de amor ao mar


Já dizem as primeiras palavras da bela canção de Dorival Caymmi: " O mar quando quebra na praia é bonito, é bonito "...Lembro da primeira vez que vi o mar num passeio feito até a Baixada Santista no início dos anos 90. Eu, caboclinha amazonense acostumada à grandiosidade magnética das águas do rio Negro, do Solimões e do Amazonas, apenas para citar alguns lá da minha terra, fiquei simplesmente apaixonada pelo mar!!!


Eu fiquei intrigada com o movimento sincronizado das ondas constantes, o som delas quebrando na areia, a espuma se esparramando....E o aroma? Aquele cheiro desconhecido e intenso, muito diferente do que eu estava acostumada a sentir....Mas o mar estava apenas se apresentando meio que timidamente a mim naquela viagem curta de Santo André a Santos, ele reservava ainda encontros bem intensos comigo.

Durante um carnaval, fui acampar em uma praia chamada Barra do Una, no litoral norte paulista, e ali vi a força do mar. Eu fiz questão de caminhar pela extensão da praia, sentir a areia e colher algumas conchas para trazer de recordação. Nisso, acabei me distraindo e não percebi que estava bem perto da água. Quando dei por mim, senti um impacto forte e comecei a ser sacudida num turbilhão de água salgada que depois me empurrou de novo para a margem. Depois do susto e dos arranhões nos joelhos, virei para o mar e disse: meu respeito a você, que força incrível!!! E que experiência avassaladora!!!



O mar também me convida sempre a refletir sobre a vida e a agradecer. Ele me inspira respeito e veneração. Sua água salgada é como uma fonte purificadora e energizante. O mar é um espaço, a meu ver, democrático. Existem as águas calmas, as praias com ondas mais agressivas e agitadas, as piscinas naturais....Tem mar para todos os gostos, isso demonstra como ele é versátil! Para mim, ele é inspirador e apaixonante!!!


quarta-feira, 28 de outubro de 2020

A alegria da Gratidão

 Como a gratidão opera verdadeiros milagres na nossa vida



Eu lembrei hoje de uma lição aprendida nos bancos da Universidade. Um professor meu muito querido e que nos instigava a buscar mesmo o conhecimento das coisas explicou a diferença entre o " obrigado(a)" e o " grato(a)". As duas palavras podem num primeiro momento, significar a mesma coisa mas, no fundo, são bem diferentes nos sentidos que carregam. Vamos ver:

O obrigado(a) traz aquele peso do que a própria palavrinha já diz: alguém me faz um favor, uma gentileza e eu respondo por " obrigação". Não sei você mas para mim, nada do que faço por obrigação me agrada. É algo imposto, que geralmente não é o que desejamos realizar naquele momento ou daquela forma. Tem uma carga bem pesada embutida.

Já o sou grato(a) traz em si um significado, uma energia que vibra muito mais em consonância com os sentimentos que são despertados em nós quando recebemos uma gentileza ou um favor. 



Gratidão! Como aprendemos com este sentimento tão nobre e poderoso. A alegria  é apenas uma das características de um coração grato. Exercitar a gratidão deveria ser visto como algo tão essencial quanto o exercício físico. Ser grato(a) não tem contraindicações e é uma atividade que aprimoramos com o passar do tempo. O apóstolo Paulo já dizia: " Em tudo dai graças" e o grande desafio é justamente esse: tudo abarca também o que se convencionou chamar de "ruim". Se sabemos que na vida temos os famosos "altos" e "baixos", somos convidados a tirar aprendizados de ambas as situações sem esquecer daquela pitada de GRATIDÃO.

Um coração grato é um coração sábio.