domingo, 9 de agosto de 2026

Meu pai, amor eterno

Mais um domingo que celebra o Dia dos Pais.  Para mim, um dia de saudades porque meu pai não está mais neste plano físico, mas sinto a falta dele todos os dias. Senti vontade de escrever sobre ele hoje, movida por lembranças ternas que guardo dentro da memória e do meu coração.

As lembranças mais remotas que tenho de meu pai são da minha expectativa diária pela volta dele do trabalho.  Eu ficava na janela da sala, de olho no portão, e meus olhos ficavam cheios de alegria quando via meu velho chegando cansado mas, com o sentimento do dever do dia cumprido. Meu pai era motorista na firma e também fazia uns extras como taxista, era um homem que começou a trabalhar muito cedo para garantir o sustento dele e da família.

" Seu " Deusdete, como os amigos o chamavam. O velho Deusdedith era pacífico, raramente perdia a cabeça ou se exaltava. Sua mansidão era confundida por muitos como fraqueza, seu coração amoroso levou algumas rasteiras de pessoas mal intencionadas, mas meu pai sempre se reerguia com a firmeza do sangue da família de seringueiros, antepassados do Acre, terra onde nasceu.  Nós sempre conversávamos muito, eu sempre amava ouvi-lo, conhecer um pouco da história dele, escutar aquela voz mansa e ao mesmo tempo, firme, de uma sabedoria dada pela vida. Papai não estudou muito, mas era uma fera nas 4 operações, não tinha conta de adição, subtração, divisão ou multiplicação que ele não resolvesse. 


Fiquei um ano longe da minha família, longe de meu pai. Soube que quando eu estava prestes a entrar no avião, lágrimas caíram dos olhos dele e meu coração sangrou. Fui embora, mas no ano seguinte, já estava de volta e pude desfrutar por mais alguns anos da presença de meu velho, sentar no colo dele, fazer agrados, contar "  causos" e ouvi-lo como sempre amei ouvir.  Ah! Saudades daquela voz tão terna, dos momentos tão bonitos que vivemos juntos!

Agora, lembro de algo que papai costumava fazer comigo quando eu era criança: quando tocada uma música que ele gostava, me puxava para dançar e eu colocava meus pés sobre os deles para ser gentilmente guiada naquele rodopiar embalado ao som de boleros, valsas ou qualquer outro gênero musical. Eu amava! Como era divertido!

Também recordo do que falava aos filhos sobre a herança que podia deixar, a educação e, graças a ela, seguimos nos aprimorando e aperfeiçoando, buscando seguir os exemplos de correção, dignidade e dedicação que o senhor nos deixou.

Enxugo as lentas lágrimas que caem dos meus olhos e agradeço pelo privilégio de ser sua filha. Eu , meus irmãos e minha mãe sentimos sua ausência física mas, jamais esqueceremos cada momento vivido junto ao senhor. Tenho certeza de que está num lugar magnífico, pleno de paz e amor, à espera dos que aqui ainda ficaram. 

Meu pai, amor eterno.

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